Holofotes

(João Bosco / Antônio Cícero / Wally Salomão)

Desde o fim da nossa história
eu já segui navios
aviões e holofotes pela noite afora
me fissuram tantos signos
e selvas, portos, places
línguas, sexos, olhos
de amazonas que inventei

Dias sem carinho
só que não me desespero
rango alumínio
ar, pedra, carvão e ferro
eu lhe ofereço
essas coisas que enumero
quando fantasio é quando sou mais sincero

Eis a Babilônica, amor,
e eis Babel aqui:
algo da insônia
do seu sonho antigo em mim
eis aqui
o meu presente
de navios
e aviões
holofotes
noites afora
e fissuras
e invenções:
tudo isso
é pra queimar-se
combustível
pra se gastar
o carvão
o desespero
o alumínio
e o coração